terça-feira, 14 de setembro de 2010

É grave, doutor?

Ando infeliz, com aquele aperto ruim no peito. Já me diagnosticaram com ansiedade antes. Acho que voltou.
Quando não tô infeliz, tô com raiva e com o mesmo aperto.
Às vezes sinto medo, desespero de um monte de coisa que acabo não sabendo exatamente do que é.
Estou tensa. Quando penso que estou tensa, tento soltar os ombros e relaxar os músculos, mas não consigo muito bem.

Ultimamente, até o Lexotan está sendo fraco. Não quero me viciar nisso, e quero frizar que só tomo de vez em quando. E agora, quando tomo, ele não faz tanto efeito. Até tira um pouco o aperto, a tensão, mas não me relaxa tanto quanto relaxava nas primeiras vezes que tomei.

Há dois anos - não gosto muito de me lembrar disso, mas por vezes é importante - tive uma crise de estresse, ansiedade, não sei bem o que aconteceu comigo. Mas, enfim, fui à psiquiatra (poucas pessoas sabem disso, tenho vergonha de assumir que já fui em uma, embora ache que deveria ir frequentemente) e ela me receitou Paxan. Não sei se é efeito placebo ou se é real, mas uns 15 dias de férias e usando o medicamento me fizeram bem. O problema é que o remédio me deixava meio sonolenta, engordei (não sei se culpa dele ou da minha alimentação inadequada na época). O problema é que uns três meses depois surgiu um caroço no meu seio. Fui ao gineco e ele disse que era efeito colateral do Paxan. Parei com o remédio e o caroço sumiu.

Andei lendo na net esses tempos atrás que não é legal interromper esse tipo de tratamento bruscamente.
E também não tenho genes muito bons nem do lado do meu pai nem da minha mãe. Trocando em miúdos, tenho uma família meio desequilibrada mentalmente. Consequentemente, também sou (como é duro ter que admitir).

Me enfiei - por dinheiro e glória - num emprego no qual sou chefe. Isso me exige tomada de decisões, ter que liderar uma equipe, fazer prazos serem cumpridos, até demitir pessoas. E isso é muito difícil, chato pra mim.
Erro, me sinto incompetente por vezes. E algo que não admito é incompetência. Me sinto muito mal por isso. Odeio saber que estou fazendo algo que não sei fazer bem, que não está me satisfazendo.
Aliás estou me odiando profundamente, pois há dois meses que estou nesse serviço por causa apenas do dinheiro. Desanimei muito de tudo.
Por outro lado, me serviu de lição que nunca mais vou querer ser chefe de nada. E também que gosto de trabalhar sozinha ou com pouquíssimas pessoas.

Também sinto falta dos bons momentos da minha adolescência (será que eu já posso me considerar uma adulta?). Sinto falta dos amigos da escola todo dia por perto. A solidão está me acompanhando.
Raramente compartilhava meus problemas (porque acho muito desagradável quem reclama da vida). Agora é praticamente nunca compartilho. Sinto falta de alguém pra me ouvir. E não consigo abrir meu coração com facilidade.

Outro ponto que me incomoda é a faculdade.
Antes eu tinha um objetivo, uma certeza, que era estudar fora, fazer química. Mas eu, ainda não sei explicar exatamente o motivo, acabei com isso.
E agora não sei bem o que quero.
Um dos motivos pelo qual estou trabalhando é para guardar dinheiro para estudar, começar a vida.
Mas no fundo, no fundo, não sei mais direito o que quero da vida.
Estou desanimada, me sentindo incapaz de conseguir enfrentar tudo de novo.

Antes eu gostava tanto de estudar, agora eu não consigo mais estudar direito.
E me incomoda que as pessoas pensam que eu sou super-inteligente, que eu sei tudo, que sou capaz de tudo. Depositam confiança demais em mim, me sinto muito pressionada com isso.

Outra dúvida cruel é se realmente eu gosto de química.
Antes eu era a-pai-xo-na-da por química. Agora eu me sinto incompetente pra isso. Às vezes chego a não gostar.
Estou me esforçando pra me apaixonar novamente, pois se eu deixar de gostar disso, não sei mais do que vou gostar.

Por falar em gostar, sinto falta de um namorado.
Tem horas que eu preciso apenas de um abraço apertado e demorado. E não tenho.
Eu deveria fazer como todo mundo: sair, ficar com todo mundo até achar algum. Mas eu não consigo me encaixar nesse modo de agir. E vou ficando pra tia enquanto isso, me contentando com amores platônicos.

E agora preciso ir; é tarde. Acho que falei demais coisa com nexo de menos.

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