quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Acabo de pôr meus pés de molho e minha gata está me fazendo companhia. Acho que somos amigas.
Ela gosta de mim, está sempre por perto. Não me julga, não me cobra. Ela não sabe o que eu tenho de bom nem de ruim. Não sabe se eu tenho dinheiro ou se estou sem nada. Ela simplesmente está aqui, sem saber nem se importar com mais nada.
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A minha vida está uma bagunça.
Assim como minhas gavetas, meus livros e o meu PC.
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Eu deveria estar estudando agora. Aliás, eu faltei da escola para estudar para aquele maldito curso que eu inventei de fazer.
Ao invés disso, tô aqui reclamando da vida.
Estava vendo fotos antigas para lembrar os momentos bons. E chorando as pitangas pelos ruins.
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Tem horas que aqueles versos do Bandeira fica ecoando na minha mente “A vida inteira que podia ter sido e que não foi”. O que será a minha vida?
Me sinto perseguida por essa angústia de não ter certeza pra onde vou e se pra onde eu for, serei feliz e realizada...
Será que eu errei de ter escolhido o caminho que escolhi? Deveria ter continuado no caminho que estava?
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Acho que tenho momentos de felicidade. Mas a maioria não me traz contentamento. E tenho muitos de dúvida e tristeza.
Queria saber a fórmula da satisfação e da felicidade. Queria plenitude.
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Meu trabalho está me aborrecendo.Está tudo errado!
No começo eu estava tão feliz com a espectativa do meu trabalho... Queria tanto ter aquela felicidade novamente.
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Queria tanto não ter começado esse curso babaca de açúcar e álcool. Mas agora paguei, não posso jogar o dinheiro fora.
Esse curso é péssimo, o professor é um caipira sem didática.
Como se não bastasse todos os meus problemas pessoais, eu tenho que estudar para essa porcaria. Tenho que tirar todo o atrazo agora. Tenho só até terça pra fazer a porcaria da prova. 
E quer saber? Vou colar. É muito feio fazer isso, mas não tô nem aí pra essa coisa mais.
Eu sei: eu que criei esse problema pra minha vida. Agora preciso estudar pra pelo menos saber colar.
*me sentindo muito mal pelo que eu disse*
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Um amigo me ligou. Eu gosto dele, mas agora que eu não estudo mais mesmo.
Será que eu deveria falar essas merdas todas pra ele? Não... ele não merece escutar tanta merda.

domingo, 19 de setembro de 2010

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..." 
Clarice Lispector
A princesinha também sente,
Chora, sofre, sonha e ouve não.
A princesinha também briga,
Encrenca, berra e fala palavrão!
Também mente,
É inconsequente,
Tem preguiça, perde a direcção.
Porque ninguém nesse mundo é cem por cento cheio de razão.
Me recuso a buscar essa indiscutível perfeição.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

É grave, doutor?

Ando infeliz, com aquele aperto ruim no peito. Já me diagnosticaram com ansiedade antes. Acho que voltou.
Quando não tô infeliz, tô com raiva e com o mesmo aperto.
Às vezes sinto medo, desespero de um monte de coisa que acabo não sabendo exatamente do que é.
Estou tensa. Quando penso que estou tensa, tento soltar os ombros e relaxar os músculos, mas não consigo muito bem.

Ultimamente, até o Lexotan está sendo fraco. Não quero me viciar nisso, e quero frizar que só tomo de vez em quando. E agora, quando tomo, ele não faz tanto efeito. Até tira um pouco o aperto, a tensão, mas não me relaxa tanto quanto relaxava nas primeiras vezes que tomei.

Há dois anos - não gosto muito de me lembrar disso, mas por vezes é importante - tive uma crise de estresse, ansiedade, não sei bem o que aconteceu comigo. Mas, enfim, fui à psiquiatra (poucas pessoas sabem disso, tenho vergonha de assumir que já fui em uma, embora ache que deveria ir frequentemente) e ela me receitou Paxan. Não sei se é efeito placebo ou se é real, mas uns 15 dias de férias e usando o medicamento me fizeram bem. O problema é que o remédio me deixava meio sonolenta, engordei (não sei se culpa dele ou da minha alimentação inadequada na época). O problema é que uns três meses depois surgiu um caroço no meu seio. Fui ao gineco e ele disse que era efeito colateral do Paxan. Parei com o remédio e o caroço sumiu.

Andei lendo na net esses tempos atrás que não é legal interromper esse tipo de tratamento bruscamente.
E também não tenho genes muito bons nem do lado do meu pai nem da minha mãe. Trocando em miúdos, tenho uma família meio desequilibrada mentalmente. Consequentemente, também sou (como é duro ter que admitir).

Me enfiei - por dinheiro e glória - num emprego no qual sou chefe. Isso me exige tomada de decisões, ter que liderar uma equipe, fazer prazos serem cumpridos, até demitir pessoas. E isso é muito difícil, chato pra mim.
Erro, me sinto incompetente por vezes. E algo que não admito é incompetência. Me sinto muito mal por isso. Odeio saber que estou fazendo algo que não sei fazer bem, que não está me satisfazendo.
Aliás estou me odiando profundamente, pois há dois meses que estou nesse serviço por causa apenas do dinheiro. Desanimei muito de tudo.
Por outro lado, me serviu de lição que nunca mais vou querer ser chefe de nada. E também que gosto de trabalhar sozinha ou com pouquíssimas pessoas.

Também sinto falta dos bons momentos da minha adolescência (será que eu já posso me considerar uma adulta?). Sinto falta dos amigos da escola todo dia por perto. A solidão está me acompanhando.
Raramente compartilhava meus problemas (porque acho muito desagradável quem reclama da vida). Agora é praticamente nunca compartilho. Sinto falta de alguém pra me ouvir. E não consigo abrir meu coração com facilidade.

Outro ponto que me incomoda é a faculdade.
Antes eu tinha um objetivo, uma certeza, que era estudar fora, fazer química. Mas eu, ainda não sei explicar exatamente o motivo, acabei com isso.
E agora não sei bem o que quero.
Um dos motivos pelo qual estou trabalhando é para guardar dinheiro para estudar, começar a vida.
Mas no fundo, no fundo, não sei mais direito o que quero da vida.
Estou desanimada, me sentindo incapaz de conseguir enfrentar tudo de novo.

Antes eu gostava tanto de estudar, agora eu não consigo mais estudar direito.
E me incomoda que as pessoas pensam que eu sou super-inteligente, que eu sei tudo, que sou capaz de tudo. Depositam confiança demais em mim, me sinto muito pressionada com isso.

Outra dúvida cruel é se realmente eu gosto de química.
Antes eu era a-pai-xo-na-da por química. Agora eu me sinto incompetente pra isso. Às vezes chego a não gostar.
Estou me esforçando pra me apaixonar novamente, pois se eu deixar de gostar disso, não sei mais do que vou gostar.

Por falar em gostar, sinto falta de um namorado.
Tem horas que eu preciso apenas de um abraço apertado e demorado. E não tenho.
Eu deveria fazer como todo mundo: sair, ficar com todo mundo até achar algum. Mas eu não consigo me encaixar nesse modo de agir. E vou ficando pra tia enquanto isso, me contentando com amores platônicos.

E agora preciso ir; é tarde. Acho que falei demais coisa com nexo de menos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

É engraçado como eu consegui me identificar exatamente com essa pessoa:
http://www.euconfesso.com/confissao-22970.html

domingo, 12 de setembro de 2010

 von.ta.de
s. f. 1. Filos. Faculdade de livremente praticar ou deixar de praticar algum ato. 2. Energia, firmeza de ânimo. 3. Desejo, intenção. 4. Resolução. 5. Capricho. 6. Arbítrio, mando. 7. Gosto, prazer. 8. Apetite. 9. Desvelo, interesse. 10. Necessidade física ou moral. S. f. pl. Desejos, apetites, caprichos.
Dic Michaelis

Vontade de gritar.
Vontade de sair lá fora e gritar.
Vontade de pegar um carro, guiar pra bem longe e gritar.
Vontade de quebrar tudo e gritar.

Estresse, estresse, estresse.

Vontade de mandar os malas que trabalham comigo pra PQP.
Vontade de gritar para essas pessoas chatas que elas são, de fato, chatas.
Vontade de apontar exatamente quem elas são.
Vontade de mandar esse emprego pra longe.

Ódio, ódio, ódio.

Vontade de tirar do meu caminho todos os babacas.
Vontade de apagar tudo de ruim que aconteceu na minha vida.
Vontade de não me importar com tudo.
Vontade de voltar no tempo e mudar.

Mudança, mudança, mudança.

Vontade de não ter todas essas vontades.
Vontade de me conformar.
Vontade de não reclamar.
Vontade de me aceitar.

Conformismo, conformismo, conformismo.