quinta-feira, 25 de junho de 2009

Strip-Tease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.


Martha Medeiros

Sonhos


Outro dia, enquanto eperava uma amiga do lado de fora da faculdade, iniciei uma conversa bastante interessante com um flanelinha que vive por ali guardando os carros, ganhando a confiança dos moradores e sobretudo, ganhando seu pão de cada dia.Com suas girias bastante peculiares, contava-me sua história de como havia chegado até ali, sobre as diferenças da vida na pista e no morro, sobre as dificuldades de quem chega, sobre o aperto no peito de quem se deixou pra trás.
Chegou ao Rio de Janeiro como quem chega de paraquedas. Não conhecia nada, ninguém e ainda por cima, veio a pé - a pé de São Paulo até o Rio. Oito dias de viagem - ele me disse. Alguns dias se parava para descansar, outros não. No primeiro, andaram 70 quilômetros. Houve quem tivesse desistido, claro: "Saiu de sampa uns nove, ne? mais a rapaziada logo desistiu. Chegou dois comigo. Nunca mais vi eles. Cada um prum lado."
Há três anos, quando chegou aqui, sem trabalho e sem conhecer ninguém, o rapaz dormiu na rua e comeu o pão que o diabo amassou - conta.
Veio parar em Niterói. Juntou com uma moça no 94, comunidade ao lado da faculdade e por ali ficou durante um tempo, juntando um dinheirinho com os carros que guardava.Um belo dia dormiu na rua, pois brigara com sua mulher, e quando acordou só encontrou a roupa do corpo. O resto, o pouco que se tinha, havia sido levado - ou por quem tivesse menos ainda ou por pura malandragem de outros. Não importa. Ficou sem nada. Ganhou roupas de alguns estudantes da faculdade, já conhecidos dele. Voltou para o 94.
No dia em que conversávamos estava feliz, tinha recebido uma carta da irmã, com uma foto do filho que deixou em São Paulo. Dizia morrer de saudades, mas que não voltaria para lá.
A essa altura já estava trabalhando como caseiro para uma senhora que tinha uma casa na rua da faculdade, seu local de trabalho. Saíra do morro para morar na pista.
Gostava de MV Bill, de rap, de musicas que denunciavam a sociedade. Até me emprestou um cd de rap de uma banda ainda pouco conhecida em sampa, mas que segundo ele, prometia muito.
E ainda tinha sonhos.
"Mas eu não vou ficar só por aqui não, saca?Eu vo termina meus estudo, parei na sétima, né? E vou fazer minha vida aqui ó (e apontava para a faculdade logo atrás). Não sei que que eu vou fazer ainda, só sei que não continuo assim."


by Júlia Sales
from Developin' ideas
http://juliasales.blogspot.com/2008/07/outro-dia-enquanto-eperava-uma-amiga-do.html

quarta-feira, 24 de junho de 2009

I Wanna Dance With Somebody

Whitney Houston

Clock strikes upon the hour
O relógio bate em cima da hora
And the sun begins to fade
E sol começa a desaparecer
Still enough time to figure out
Ainda há tempo suficiente pra descobrir
How to chase my blues away
Como mandar minha tristeza embora
I've done alright up to now
Eu me dei bem até agora
It's the light of day that shows me how
É a luz do dia que me mostra como
And when the night falls, loneliness calls
E quando a noite cai, a solidão chama

Oh wanna dance with somebody
Oh, eu quero dançar com alguém
I wanna feel the heat with somebody
Eu quero sentir o calor com alguém
Yeah wanna dance with somebody
É, eu quero dançar com alguém
With somebody who loves me
Com alguém que me ame

I've been in love and lost my senses
Eu me apaixonei e perdi meus sentidos
Spinning through the town
Rodando pela cidade
Sooner or later the fever ends
Mais cedo ou mais tarde a febre acaba
And I wind up feeling down
E eu termino me sentindo pra baixo

I need a man who'll take a chance
Preciso de um homem que vai se arriscar
On a love that burns hot enough to last
Em um amor que seja quente o suficiente pra durar
So when the night falls
Então quando a noite cai
My lonely heart calls
meu coração solitário chama

Somebody, Somebody
Alguém, alguém
Somebody who loves me
Alguém que me ame
Somebody, Somebody
Alguém, alguém
To hold me in his arms oh
Que me segure em seus braços

Dontcha wanna dance with me baby
Você não quer dançar comigo, querido?
Dontcha wanna dance with me boy
Você não quer dançar comigo, garoto?
With somebody who loves me
Com alguém que me ame

Dontcha wanna dance say you wanna dance
Você não quer dançar? Diga que quer dançar
Dontcha wanna dance
Você não quer dançar?
With somebody who loves me
Com alguém que me ame

Realmente quero descobrir como mandar minha tristeza embora e sentir o calor com alguém que me ame.

domingo, 21 de junho de 2009

Gincana

Paisagem da Janela
Borges e Fernando Brant

Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou

Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
E eu apenas era

Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical

Cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir

Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Um cavaleiro marginal
Banhado em ribeirão
Você não quer acreditar

A profa Ju (Lit.) cantou essa música na gincana do 1º ano. Foi uma belezinha! ^^
Ela era da minha equipe, a amarela.
Da equipe vermelha, a M. Lúcia cantou Massacration, Menina Eu Te Amo Tanto... foi bem bizarro! Dois alunos (A Gaby e o namorado, ambos do 3º) ajudara-na cantar.
O gatão do Alê cantou e tocou violão, mas não lembro direito o quê. Acho que foi algo do Capital Inicial, mas não tenho certeza.
Haha... quem vê pensa que a gincana foi boa. Não foi. Foi uma merda! Mas teve algumas coisinhas que valeram a pena (afinal, tudo vale quando a alma não é pequena).
Lembro da Ji bancando Xibi, correndo atrás de uma borboleta num morrinho com grama...
Ah! Eu não vi, mas a Naty disse que o Dani tava de p. duro na piscina!!! Cada uma, viu! :O *vermelha de vergonha*
Ai, ai, ai... nesse dia, o G me carregou no colo depois do jogo de futebol (sim, eu fingi que joguei futebol pra completar a equipe).
Teve uma hora que a gente foi dar uma volta lá pelos matos, ver uma lagoa... é bonitinho o lugar.
Se não me engano, a gente brincou num parquinho que tinha balanço e gangorra.
Ô saudades!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Afirmações deístas

1- Acredito em um Deus, mas não pratico nenhuma religião em particular;
2- Acredito que a palavra de Deus são as leis da natureza e do Universo, não os livros ditos "sagrados" escritos por homens em condições duvidosas;
3- Gosto de usar a razão para pensar na possibilidade de existência de outras dimensões, não aceitando doutrinas elaboradas por homens;
4- Acredito que os ideais religiosos devem tentar reconciliar e não contradizer a ciência.
5- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião;
6- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça;
7- Prefiro elaborar meus princípios e meus valores pessoais pelo raciocínio lógico, do que aceitar as imposições escritas em livros ditos "sagrados" ou autoridades religiosas;
8- Sou um livre pensador individual, cujas convicções não se formaram por força de uma tradição ou a "autoridade" de outros;
9- Acredito que religião e Estado devem ser separados;

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Aperto no peito.