sábado, 12 de janeiro de 2008

Perfeccionismo e baixa auto-estima

O perfeccionista geralmente não exige perfeição em tudo, senão estaria louco, mas em algumas coisas que são importantes para ele.
É freqüente encontrarmos perfeccionistas que são regidos pela lei do “Tudo ou nada”. De acordo com essa lei, ou a pessoa é “tudo”, quando se aproxima do seu ideal de perfeição, ou é “nada”, quando se afasta dele.
A constante comparação de si mesmo com os outros é um comportamento comum no perfeccionista e ele precisa sempre ganhar para se sentir satisfeito. Caso contrário, se sente um zero à esquerda, sem valor.
O medo de errar e virar um “nada” aos seus próprios olhos costuma ser constante. Em decorrência deste medo, a pressão que ele exerce sobre si próprio pode ser intensa e gerar muita ansiedade. Ele quer que as coisas aconteçam rapidamente para ter a certeza de que saíram conforme o planejado. E se não saírem, se for intrapunitivo, ele mesmo será seu carrasco e lhe dará uma “surra” psíquica, se martirizando pelo menor erro cometido.
O perfeccionista muitas vezes valoriza muito mais seus erros do que seus acertos. Faz 9 coisas certas, uma errada e acha que fez “tudo errado”. Por trás desta dinâmica psíquica pode ter erros graves cometidos no passado, talvez numa vida passada, com conseqüências graves e com o respectivo sofrimento.

leia o texto completo em: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=10820

Poema para Galileu

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileu! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios).

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria...
Eu sei... Eu sei...
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileu Galilei!

Olha. Sabes? Lá na Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileu,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate, Galileu!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileu?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileu,
daquela cena em que tu estavas centado num escabelo
e tinhas à tua frente
um guiso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando um perigo
para a Humanidade
e para a civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscava os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas - parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma

Ai, Galileu!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andava a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilômetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileu Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso, estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto enacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão direta dos quadrados dos tempos.

Antônio Gedeão