quinta-feira, 29 de março de 2007

Versos inscritos numa taça feita de um crânio

Não, não te assustes; não fugiu o meu espírito;
Vê em mim um crânio, o único que existe,
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus;
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Antes do que nutrir a geração dos vermes,
Melhor conter a uva espumejante;
Melhor é como taça distribuir o néctar
Dos deuses, que a ração da larva rastejante.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para aíudar os outros brilhe agora eu;
Substituto haverá mais nobre do que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
Através da existência - curto dia -,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

[Lord Byron]

domingo, 11 de março de 2007

Sensação de não ter aproveitado o passado...

Um dia desses estava pensando na vida e cheguei a conclusão que eu perdi três possíveis amores:

Se eu fosse um pouco menos lerda, teria tomado uma iniciativa e falado o que eu sentia para o B; A chance de eu levar um fora era mínima porque rolava a lenda que ele estava a fim de mim. Mas, como sou lerda, não falei e fiquei sabendo que mais tarde ele ficou - odeio essa palavra, mas não tenho outra - com uma vadia que se dizia minha amiga, depois com outra vaca e com outra vagabunda pouquíssimo tempo depois da lenda surgir. Ok, ele era um galinha cheio de boas qualidades, mas como as boas qualidades não anulava a galinhagem, não resitiu as putas. E eu não poderia voltar no tempo e desfazer a lerdeza.

Conheci o M um ano antes de conhecer o B, mas quando ele se interessou por mim, estava em fase depressiva por ter perdido o B. Era um cara de muitas qualidades também. Poderia ter me entendido com o M... Acho que estaria feliz com ele hoje.

Depois de um tempo, conheci o G. Cara com muitas qualidades, carinhoso e com um abraço muito bom. Só que não escovava os dentes. Era o único defeito e o defeito que ferrou tudo: a possibilidade de beijar aquela boca me enojava. Uns meses depois o G começou a escovar os dentes, só que arrumou uma namorada e virou um grande amigo e um dia me disse que quando me conheceu tinha vontade de me beijar. Se eu tivesse enrolado ele um pouquinho até ele manter uma higiene bucal adequada, poderia estar com ele agora.

Saco! Como eu sou lerda!! Que ódio!